Vídeo: o samba 'Vai Passar' na campanha de Fernando Henrique Cardoso à Prefeitura de São Paulo:
http://youtu.be/p5nVSmuB75I
Uma inestimável lembrança de um tempo em que
Chico Buarque e Lula apoiavam a candidatura de Fernando Henrique Cardoso
à prefeitura de São Paulo. Não levou quando se enrolou todo ao tentar
responder à pergunta de Boris Casoy: "Você acredita em Deus?", e porque
veladamente assumiu que fumou maconha na juventude. Coisas de uma
democracia ingênua, saída do berço. Nessa época, Fernando Henrique
flertava com um socialismo moreno, mais próximo dos países nórdicos ou o
francês - o que lhe angariava simpatias de eternos socialistas como os
citados acima e que foi responsável pela cisão com o PMDB ao formar,
então, o Partido da Social Democracia Brasileira. E, tal como acontece
frequentemente na democracia brasileira, Fernando Henrique se viu
presidente e, no decorrer do sua gestão no Poder Executivo, fez mudanças
importantes no País, na sua alma e na sua consciência. Assistiu a seu
partido perder o sentido histórico da palavra SOCIAl na sua sigla ao se
unir à direita mais retrógada desse País - a Arena - partido criado pela
ditadura militar e que, depois de muitas outras siglas, hoje é o DEM.
Pela governabilidade, fez alianças com políticos corruptos e
oportunistas como Maluf e José Sarney. Como qualquer outro chefe de
Executivo, assistiu conivente à formação da caixa-dois de campanha pelos
componentes de seu partido e de partidos aliados, na provável e sincera
crença de ser a única forma possível de se manter no poder 'por 50
anos', como declarava seu homem forte - Sérgio Motta. Amargou a
denúncia de participação de Sérgio Motta no mensalão para sua reeleição,
conforme gravações obtidas pela Folha de São Paulo. Também viu amigos
próximos envolvidos nos escândalos do Banestado - uma forma de envio de
caixa-dois ao exterior, assim como licitações e privatizações
fraudulentas como a do Grupo Telebrás com o Banco Opportunity, cujo
principal envolvido era o tesoureiro do seu partido. Um grande êxito
pessoal foi escapar ileso de todas as denúncias. O seu maior legado à
sociedade brasileira foi o Plano Real iniciado no governo de Itamar
Franco e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Sem a inflação para financiar
as contas do governo e sem uma reforma fiscal que reduzisse os seus
gastos, promoveu um enorme aumento de impostos. Ao fim de sua gestão,
deixou para o governo seguinte uma taxa de juros a 23%, o dólar a quase
R$3,00 e a aprovação de seu governo a 22%. Deixou ainda um projeto de
lei de reforma das aposentadorias públicas, aprovada na gestão de seu
sucessor. Deve estar ainda atônito sobre o efeito do filme 'O Lobo de
Wall Street' às suas crenças neoliberais, assim como a estatização da
General Motors pelo governo americano para que ela não fosse à falência.
Deve estar tardiamente amargurado com o Nobel de Economia de 2014 a um
defensor das intervenções do Estado na Economia, baseado na Teoria dos
Jogos e ao ainda insistente apoio de Chico Buarque ao partido opositor.
As imprecisões históricas ficam por conta das fontes sugeridas pelo
google. As suposições são assumidas pelo autor.
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